Quem foi A. A. Allen? História, ministério e legado

 

Quem foi A. A. Allen? História, Ministério e Legado

Na década de 1950, debaixo de uma das maiores tendas de lona já fabricadas no mundo — com capacidade para abrigar mais de dez mil pessoas —, milhares de enfermos, desenganados e necessitados reuniam-se sob o som vibrante de um órgão Hammond e de brados de fé. No centro daquela plataforma, um pregador de estilo elétrico, voz marcante e oratória incisiva orava pelos doentes, desafiava a pobreza e pregava sobre um Deus de milagres operante no tempo presente.

Seu nome era Asa Alonso Allen, mundialmente conhecido como A. A. Allen. Ele tornou-se uma das figuras mais populares, influentes e controversas do Movimento de Cura Divina (Healing Revival) e do início da chama de avivamento que varreu os Estados Unidos no pós-Guerra.

Ao mesmo tempo em que arrastava multidões e fundava o complexo de Miracle Valley (O Vale dos Milagres), sua vida foi atravessada por severa oposição de denominações tradicionais, controvérsias financeiras, acusações de sensacionalismo e uma batalha pessoal que acompanhou sua trajetória até seu trágico fim.

Como um garoto que cresceu no seio de uma família destruída pelo alcoolismo tornou-se um dos evangelistas de tenda mais impactantes do século XX?


Quem foi A. A. Allen?

Asa Alonso Allen (1911–1970) foi um evangelista, autor e pregador pentecostal norte-americano, proeminente líder do Movimento de Cura e Libertação das décadas de 1950 e 1960.

Integrante da geração de evangelistas de tenda ao lado de nomes como Jack Coe, Oral Roberts e William Branham, Allen distinguiu-se pela sua ênfase na cura divina, na libertação de espíritos opressores, no combate à pobreza pela fé e pela integração racial irrestrita em seus cultos no auge da segregação nos EUA.

Ele fundou a associação A. A. Allen Revivals, a publicação Miracle Magazine e o centro ministerial de Miracle Valley, no Arizona. Apesar de seu estrondoso impacto popular e de milhares de relatos de milagres sob seu ministério, sua trajetória foi marcada pelo rompimento com as Assembleias de Deus e por intensas controvérsias na imprensa secular e eclesiástica.

O mundo em que A. A. Allen nasceu e cresceu

A. A. Allen nasceu em 27 de março de 1911 em Sulphur Rock, no estado do Arkansas, em um ambiente de pobreza extrema. O Sul dos Estados Unidos vivia o rigor da recessão agrícola e as leis de segregação racial.

A infância de Allen foi profundamente traumática. Seus pais, Asa e Leona Allen, enfrentavam severo alcoolismo. Allen relatou em sua autobiografia que sua mãe costumava colocar bebidas alcoólicas nas mamadeiras dos filhos para mantê-los quietos. Crescendo em um lar destruído por brigas violentas e miséria, Allen abandonou a escola no ensino fundamental e fugiu de casa aos 14 anos, trabalhando como colhedor de algodão e trabalhador braçal.

Durante a juventude, entregou-se aos vícios da bebida e ao estilo de vida boêmio, sem qualquer interesse pela religião tradicional.

Conversão e Chamado Ministerial

Em 1934, aos 23 anos, durante o auge da Grande Depressão Americana, Allen caminhava perto de uma pequena igreja campestre metodista na cidade de Onawa, Iowa. Atraído pelo som dos cânticos, entrou no templo e ouviu a pregação de uma evangelista chamada Oneta Tinsley.

Naquela mesma noite, Allen converteu-se ao cristianismo. Pouco tempo depois, entrou em contato com o pentecostalismo e recebeu o batismo no Espírito Santo. Sentindo um chamado irresistível para o ministério, filiou-se às Assembleias de Deus (Assemblies of God) e começou a atuar como pregador itinerante pelas áreas rurais dos EUA.

Em 1936, casou-se com Lexie E. Gray. Juntos, pastorearam pequenas congregações em Missouri e no Texas ao longo das décadas de 1930 e 1940, vivendo de forma modesta.

O Ponto de Virada: A Tenda e o Movimento de Cura

Em 1949, enquanto pastoreava em Corpus Christi, Texas, Allen visitou uma campanha de tenda liderada por Oral Roberts em Dallas. Ao presenciar as orações pelos doentes e o impacto de multidões buscando a cura divina, Allen viveu uma profunda crise espiritual.

Ele retirou-se em jejum e oração prolongada em seu quarto, buscando uma capacitação divina. Segundo seu relato, Deus lhe revelou os passos de consagração e preço pessoal necessários para exercer um ministério de sinais e maravilhas.

Em 1950, Allen renunciou ao pastorado local para dedicar-se inteiramente aos cultos itinerantes. Ele adquiriu sua primeira grande tenda de campanha e juntou-se ao grupo de evangelistas associados à revista The Voice of Healing (A Voz da Cura), fundada por Gordon Lindsay.

Em pouco tempo, o estilo vibrante, dinâmico e popular de Allen transformou suas campanhas em um fenômeno de público por todas as grandes cidades americanas.

Por dentro das Campanhas de Miracle Valley

No final da década de 1950, Allen estabeleceu a sede de seu ministério em uma propriedade de mais de 1.200 acres doada a ele no Arizona, batizada de Miracle Valley (O Vale dos Milagres).

O local contava com um templo para milhares de pessoas, escola bíblica, estúdios de rádio, prensa gráfica para a revista Miracle Magazine (que alcançou centenas de milhares de leitores) e uma estrutura para acolher doentes vindos de todo o mundo.

  • Cultos Vibrantes e Inclusivos: Em uma era em que a segregação racial dividia a sociedade e as igrejas americanas, Allen desafiou o racismo das leis locais. Suas tendas eram totalmente integradas — negros, brancos e latinos sentavam-se juntos e compartilhavam a mesma plataforma de liderança e louvor.
  • Música e Expressão: Os cultos de Allen foram pioneiros no uso de ritmos alegres, corinhos animados e um estilo de louvor que influenciou profundamente o tom da música pentecostal e carismática subsequente.

O que A. A. Allen ensinava?

A mensagem de Allen centrava-se na autoridade do nome de Jesus sobre a enfermidade, a pobreza e a opressão espiritual:

  1. Cura Divina Incondicional: Ensinava que a enfermidade é uma obra do diabo e que a expiação de Cristo na cruz garante a cura física para todos os que creem.
  2. Libertação de Espíritos Opressores: Foi um dos primeiros evangelistas a focar de forma ostensiva na expulsão de demônios e na libertação de vícios e tormentos mentais em público.
  3. Deus de Abundância: Pregava contra a mentalidade de pobreza, afirmando que Deus desejava prosperar financeiramente Seus filhos para o sustento da obra missionária.

Para compreender o contexto e a trajetória dos movimentos que moldaram a história da Igreja no século XX, o portal O Cristão Informado disponibilizou a Coleção Avivamento, um acervo com análises e documentos históricos.

Linha do Tempo de A. A. Allen

  • 1911: Nascimento em Sulphur Rock, Arkansas (27 de março).
  • 1934: Conversão ao cristianismo em uma igreja metodista em Iowa.
  • 1936: Casamento com Lexie E. Gray e ordenação pelas Assembleias de Deus.
  • 1949: Busca espiritual prolongada após visitar a campanha de Oral Roberts.
  • 1950: Início das grandes campanhas itinerantes de tenda.
  • 1955: Prisão controvertida em Knoxville, Tennessee; rompimento formal com as Assembleias de Deus.
  • 1956: Lançamento da Miracle Magazine e organização do A. A. Allen Revivals Inc.
  • 1958: Mudança da sede para Miracle Valley, Arizona.
  • 1970: Falecimento em São Francisco, Califórnia (11 de junho), aos 59 anos.

Controvérsias, Prisão e Rompimento Denominacional

A vida de A. A. Allen foi cercada de intensas polêmicas que o distanciaram do movimento pentecostal tradicional:

O Incidente em Knoxville (1955)

Em 1955, durante uma campanha de grande sucesso em Knoxville, Tennessee, Allen foi preso sob a acusação de dirigir embriagado. Allen proclamou sua total inocência, afirmando ter sido vítima de uma armação política orquestrada por opositores locais e empresários afetados pelo sucesso do evento. No entanto, o escândalo levou a liderança das Assembleias de Deus a exigir que ele se retirasse do ministério itinerante até que o caso fosse totalmente esclarecido. Recusando-se a parar suas campanhas, Allen entregou suas credenciais e desligou-se da denominação.

Métodos Sensacionalistas e Apelos Financeiros

Imprensa secular e críticos eclesiásticos acusavam Allen de ser apelativo e sensacionalista. O uso de relíquias de oração (como panos abençoados), unções com óleo “especial” e apelos financeiros contínuos para sustentar a estrutura de Miracle Valley geraram fortes debates sobre os limites entre a fé genuína e a manipulação.

Morte e Mitos

A morte de A. A. Allen permanece como um dos pontos mais debatidos de sua biografia.

Em 11 de junho de 1970, Allen faleceu subitamente aos 59 anos no Hotel Jack Tar, na cidade de São Francisco, Califórnia, onde estava hospedado para gravar programas de rádio e realizar reuniões.

O que os relatórios oficiais mostram: O relatório do médico-legista do condado de São Francisco concluiu que a causa da morte foi uma parada cardíaca decorrente de insuficiência hepática aguda e alcoolismo crônico (cirrose). Essa conclusão alimentou duras críticas de seus opositores.

O que os defensores sustentam: Familiares e colaboradores próximos de Allen contestaram o laudo, afirmando que o evangelista sofria de uma forma severa e dolorosa de artrite degenerativa no quadril, o que o levava a utilizar medicação para dores crônicas, e que ele havia sido vítima de exaustão e ataque cardíaco fulminante.

Seu corpo foi sepultado no complexo de Miracle Valley, no Arizona.

Qual foi o legado de A. A. Allen?

Legado no Movimento de Cura

A. A. Allen foi uma das forças mais dinâmicas das campanhas de tenda do pós-guerra. Sua ousadia em orar por casos considerados desesperadores influenciou uma geração de novos evangelistas ao redor do mundo.

Abertura para a Integração Racial

Em uma América dividida pelo racismo, as tendas de Allen serviram como um oásis de comunhão onde negros e brancos cultuavam juntos, antecipando conquistas dos direitos civis no ambiente religioso.

O que a vida de A. A. Allen ensina aos cristãos de hoje?

  1. A Compaixão Pelos Marginalizados: Allen nunca esqueceu suas origens miseráveis, mantendo as portas de suas reuniões abertas para os pobres, os viciados e as minorias rejeitadas pela sociedade.
  2. O Perigo da Falta de Prestação de Contas: A trajetória de Allen demonstra como a independência absoluta de denominações e a ausência de uma rede de liderança pastoral madura podem expor um ministério a controvérsias e isolamento.
  3. A Distinção Entre Poder e Fragilidade Humana: A vida de Allen evidencia que Deus pode operar sinais através de instrumentos humanos marcados por dores, limitações e batalhas pessoais profundas.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quem foi A. A. Allen?
Foi um influente e controverso evangelista pentecostal norte-americano, líder de grandes campanhas de tenda sobre cura e libertação nas décadas de 1950 e 1960.
O que era Miracle Valley?
Era o centro ministerial de 1.200 acres fundado por A. A. Allen no Arizona, abrigando templo, escola bíblica, gráfica e estúdios.
Como morreu A. A. Allen?
Faleceu aos 59 anos em um hotel em São Francisco em 11 de junho de 1970. O laudo oficial registrou parada cardíaca decorrente de cirrose e insuficiência hepática, enquanto colaboradores apontavam complicações de artrite severa e exaustão.

Fontes e Referências

  • ALLEN, A. A. Born to Lose, Bound to Win (Autobiografia). Miracle Valley: A. A. Allen Revivals, 1970.
  • HARRELL JR., David Edwin. All Things Are Possible: The Healing and Charismatic Revivals in Modern America. Indiana University Press, 1976.
  • SYNAN, Vinson. O Século do Espírito: Custo e Impacto do Movimento Pentecostal e Carismático. Editora Vida, 2002.

 

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